Asasdefalcao

segunda-feira, maio 15, 2006


Encontrar-te…

Perdida em buscas vãs, achei-me presa em velhas teias. Habitante de labirintos de alheação!

Como os dias eram todos iguais! Eu não passava de um autómato de vontades exteriores,

Movida por forças inexplicáveis, fui conduzida a um lugar inatingível pela dor! Entorpecida num estádio de letargia, refugiada na comodidade de não sentir! Esvaziada e infértil de afectos remei num mar de solidão! Sem tristezas, nem alegrias subsistia apenas!


No dia em que atrevi ser mais audaciosa. No dia em que enfrentei aquilo e aqueles que me balizavam! Libertei-me das amarras….

Mergulhei num oceano profundo! Estremeci de temor porque julgava não saber nadar! Faltou-me o ar e o chão triste mas seguro foi me retirado sob os pés! Frio nas entranhas!

Agarrei-me a ti! Fiei pela primeira vez! Desembarquei no porto seguro dos teus braços! Aninhei-me em teu corpo feito ilha! Deixei-te povoar meus sonhos! Explosão de cor, sinfonia de sabores: RENASCI! Júbilo, padecimento, deleite, desagrado, aconchego, desassossego mas vida!

Vale mil vezes viver!

segunda-feira, maio 01, 2006





“Abraçando a tua ausência”



É na solidão da noite

Quando o olhar vaga incerto

Que me descubro em teu destino...

É no silêncio da madrugada insone

Quando nada mais me chama

Que meu corpo te pronuncia

E meu coração confidencia a tua falta...

É no deambular do pensamento

Que a minha saudade regressa a ti

E despido de todos os segredos

Meu corpo abraça a tua ausência...

É no suspiro do amor que fulge

No meneio do desejo, sem qualquer receio

Na nudez de confessar-te tua

Que meu olhar te oferece ao meu sonho...

Fernanda Guimarães

sábado, abril 22, 2006



Eis-me


Eis-me
Tendo-me despido de todos os meus mantos
Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses
Para ficar sozinha ante o silêncio
Ante o silêncio e o esplendor da tua face
Mas tu és de todos o ausente o ausente
Nem o teu ombro me nem a tua mão me toca
O meu coração desce as escadas do tempo
(em que não moras)
E o teu encontro
São planícies e planícies de silêncio



Escura é a noite
Escura e transparente
Mas o teu rosto está para além do tempo opaco
E eu não habito os jardins do teu silêncio
Porque tu és de todos os ausentes o ausente





Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, março 17, 2006





Sem chão
É curioso como de um momento para o outro parece que nos falta o chão para pisar! Como por artes sinistras o tapete foi puxado e resta a desordem, o caos! Como deixámos as coisas tomar os rumos que tomaram? Bastou apenas esqueçermos de pensar breves segundos e tudo tornou-se pesado e sombrio! Esqueçemos quem somos realmente! Nesses momentos tenebrosos deparámos que voltámos à estaca zero! Ainda não estavámos prontos para estar onde estávamos! Tinhamos de nos refazer, reconstrir e voltar a tomar a vida em mãos! Perdidos é fundamental respirar erguer a cabeça! Não deixar a ironia ficar-se a rir sozinha! Rir com ela e olhar em frente! É mesmo verdade que o que não mata torna mais forte! Difícil é acreditar quando só olhámos o abismo e não o horizonte!

quinta-feira, março 02, 2006






Raios de Esperança






Hoje o meu sol interior brilhou! Embora o tempo estivesse sombrio e pouco convidativo lá fora! Varreram-se as escuras núvens que me cegavam. Nao conseguia ver a não ser o lado negro de tudo o que me orbitava porque rejeitava a luz! Quem sou eu para críticar quem quer que seja? Não estaria eu apenas a projectar nos outros os meus medos e inseguranças? Apenas captava o lado negativo do meu universo porque ainda existiam (ou existem) muitos buracos negros no meu espirito. Tento neste momento preencher os vazios e pegar o meu destino em mãos. Tenho ainda muito trabalho a fazer em relação a mim embora ingénua achasse que não! Hoje senti partículas de esperânça no ar inalei-as com força! Espero poder construir um novo reino com alas de compreensão, respeito, aceitação e amor! Que esta tempestada não necessite mais de falsos abrigos! Que passe a povoar um porto seguro onde viva momentos iluminados e quentes!!!!

segunda-feira, novembro 07, 2005


Tempo

Nas asas de outro tempo voei para terras de mim.
Encontrei o lado mais escuro do meu ser!
Enterrei mortos e limpei velhas feridas com o bálsamo da paciência.
Escutei gritos de dor abafados, sufocados pela conveniência de outros que não eu!
Suspensa nesse ermitério vivi outras vidas que não a minha.
Vivi dramas, desamores e abandonos mas não vivi!

Aqui estou pássaro renascido!
Reencarnado nas asas de um novo tempo pronta a mergulhar na plenitude!

terça-feira, novembro 01, 2005


Pico


Imenso torrão de magnéticas forças telúricas,


Braços que acalmam a revolta de não sentir,


Presença que apaziguou em mim a saudade,


Montanha que lembra minha pequenez,


Ilha que recorda a solidão da caminhada,


Necessito de ti!


Entranhaste-me as veias com o teu magma vivo debaixo da superfície.


Sou tua porque fui escolhida e não escolhi.


Por mais que tento escapar voltar a ti é voltar a casa!


É comunhão com a esmagadora natureza da tua magnitude,


Humildade de aceitar a minha dimensão de poeira.